Olá pessoal!
Hoje, comentarei as questões do simulado do tópico passado.
O nível das questões foi relativamente alto, já que eu coloquei algumas exceções de certos assuntos. Como já é de conhecimento de muitos, a regra geral dificilmente é cobrada em provas certo?!
Vamos lá!
Comentário: Essa questão pode ser dividida em duas partes:
1- identificação da função sintática de “ao Brasil”;
2- escolha da opção em que temos a mesma função do termo sublinhado.
Aí temos uma pergunta interessante:
Existe objeto direto preposicionado?
A resposta é SIM, em dois casos, mais especificamente:
1- para dar ênfase, o que não é o nosso caso;
2- quando tanto o sujeito quanto o objeto estão pospostos ao verbo transitivo direto;
Vejam só, se a frase fosse “Derrotou o Brasil a França / Derrotou a França o Brasil” haveria duas possibilidades de vencedor / perdedor. Dessa forma, usamos a preposição para diferenciarmos as funções sintáticas, e consequentemente eliminarmos a dupla interpretação.
Portanto, fica fácil perceber que eu me referi à final da Copa do Mundo de 1998, quando a França venceu o Brasil por 3 a 0. Percebam que dessa vez, como cada seleção foi colocada em sua devida posição, não houve problema de interpretação.
a) É importante que façamos simulados.
A oração sublinhada é subordinada substantiva subjetiva (função de sujeito).
A oração sublinhada é subordinada substantiva objetiva direta (função de objeto direto)
d) Não necessitamos de ajuda alguma.
Temos nas letras C e D dois objetos indiretos. Quem tivesse feito aquele raciocínio equivocado teria duas opções para marcar!
Finalmente, aqui temos um complemento nominal, novamente uma preposição para tentar confundir os mais desatentos.
2- Marque a palavra que não é formada pelo mesmo processo de formação das demais.
Comentário: este é um tipo de questão que pode complicar nossas vidas na hora da prova, pois é comum a banca usar palavras não muito comuns, o que fará com que fiquemos em dúvida entre duas ou três palavras.
Procurei fugir um pouco do tradicional (cobrança da derivação parassintética), colocando um caso de hibridismo, que é a junção de morfemas de origens diferentes (nesse caso latina e grega) na mesma palavra. Em todos os outros casos, há derivação sufixal.
a) felizmente (sufixo -mente)
b) sociologia V
c) obediência (sufixo –ência)
d) concurseiro (sufixo –eiro)
e) arcadismo (sufixo –ismo)
3- Supondo que existisse o seguinte artigo na Constituição Federal, analise as alternativas:
Art 251. A partir de 01 de janeiro de 2010, passam a ser vedadas quaisquer imunidades não previstas nesta Constituição.
I- a ideia de que imunidades são previstas infraconstitucionalmente é um subentendido;
Comentário: apesar da ideia da afirmativa I ser um implícito, não se trata de um subentendido, mas sim de um pressuposto, identificável a partir do advérbio de negação.
II- o verbo sublinhado permite a identificação de um pressuposto;
Comentário: afirmativa correta! O verbo “passar” permite a identificação do seguinte pressuposto: Algo (as imunidades) não era vedado.
III- o pronome “nesta” possui função anafórica, visto que faz referência a um termo do artigo;
Comentário: para ter função anafórica, a palavra deveria se referir a um termo expresso anteriormente. Veremos como classificar esse tipo de pronome no próximo artigo.
a) apenas o item I está incorreto;
b) apenas o item II está correto; V
c) os itens I e II estão corretos;
d) todos os itens estão corretos;
e) todos os itens estão incorretos.
4- Houve erro no uso da crase na seguinte alternativa:
a) Não me referi a este, mas sim àquele comentário.
Comentário: regência do verbo – referir a algo
Quando ocorre fusão da preposição com o demonstrativo “aquele(a)” devemos usar o acento indicativo de crase.
b) Às vezes, esquecemos detalhes importantes.
Comentário: devemos usar crase em expressões femininas. Percebam que o significado muda sem a crase.
c) Todos meus amigos preferem o carro à bicicleta.
Comentário: caso especial do verbo preferir. Quando houver artigo antes do primeiro termo, haverá também no segundo. Dessa forma, se o segundo termo for feminino, devemos usar crase.
d) Levaremos esta situação até às últimas consequências.
Comentário: esta foi a pegadinha da questão, pois, sinceramente, não me lembro de ter lido uma frase em que alguém tenha usado crase nesse caso.
Fica um alerta: cuidado com os casos de crase facultativa!
e) O atirador visou à arma do bandido e atirou. V
Comentário: a resposta da questão! Aqui, o verbo “visar” foi usado com o sentido de “mirar”, que pede objeto direto (o que também ocorre com o sentido de “dar visto”). Já o famoso “visar a algo” tem sentido de “objetivar”, “desejar”.
Obs.: alguns gramáticos admitem transitividade direta mesmo neste último caso.
5- Indique a opção correta:
Comentário: regrinha simples de concordância!
tal (tais) – concorda com o termo anterior
qual (quais) – concorda com o termo posterior
a) Os irmãos são tal qual o pai.
b) Meu pai é tal quais meus tios. V
c) Minha mãe é tal qual as irmãs dela.
d) Meus amigos são tais quais meu irmão.
e) Concurseiros são tal quais guerreiros.

6- Marque a opção que melhor reproduz a frase da tirinha no discurso indireto:
Comentário: questão de discurso indireto bem fácil!
1- o verbo “dizer” fica no pretérito perfeito, já que estamos nos referindo a um acontecimento passado.
Atenção: havia dito = tinha dito = dissera ( todos se referem a um evento anterior a um outro evento passado)
2- o advérbio “aqui” deve ser substituído por “lá”, já que não estamos na cena.
3- o verbo “ser” também fica no pretérito perfeito.
4- vamos analisar melhor o pronome “esse” na próxima questão. Basta, por enquanto, sabermos que ele deve ser substituído por “aquele”.
5- o verbo “ficar” também passa para o passado, só que para o pretérito imperfeito, pois estamos tratando de um estado permanente na época.
a) Ele disse que aqui é o Nº 35, que aquele castelo fica lá embaixo.
b) Ele havia dito que lá é o Nº 35, que esse castelo ficava lá embaixo.
c) Ele tinha dito que aqui é o Nº 35, que aquele castelo fica lá embaixo.
d) Ele disse que lá era o Nº 35, que aquele castelo ficava lá embaixo. V
e) Ele dissera que lá era o Nº 35, que aquele castelo fica lá embaixo.
7- Qual a função das palavras “aqui” e “esse” respectivamente na tirinha?
Comentário: vou fazer uma análise simplificada da questão, já que o próximo texto será sobre esse assunto ok?! Então guardem as dúvidas. Vou aproveitar para responder a dúvida do Marcelo, sobre a função do pronome “esse”.
Inicialmente, acredito que todos tenham tido facilidade em identificar a função dêitica do advérbio “aqui”. Lembrando que a função dêitica refere-se a uma localização de algo no tempo ou no espaço em relação ao emissor, ao receptor ou a terceiros. Temos, portanto, dois dêiticos na tirinha: os advérbios “aqui” e “lá”, que estão se referindo aos dois castelos ( o que o Hagar está procurando não podemos ver, tanto que o rapaz usou o advérbio “lá”).
Já o pronome “esse” tem função anafórica. Bem, alguns de vocês podem pensar o seguinte:
“Ora Diego, você escreveu lá na terceira questão que um pronome anafórico se refere a algo anteriormente mencionado, mas eu não vejo o termo anterior na tirinha! Não pode ser anafórico!!!”
Minha explicação é a seguinte: na tirinha, temos uma resposta certo?! (tanto que ela inicia pelo advérbio de negação “não”).
Se há resposta, tem que ter havido uma pergunta. E que pergunta seria essa? Seria mais ou menos assim:
Hagar: Esse castelo é o número 30? (coloquei esse número para que a resposta faça sentido. Lembrem que o carinha disse lá embaixo. Então o Hagar está procurando por um castelo anterior ao de número 35)
Perceberam o termo ao qual o pronome faz referência?
“Sim Diego, agora sim! O pronome refere-se a expressão esse castelo”
Não!!! Veja bem caro leitor! Se o pronome se referir a esse castelo, o rapaz estará falando do castelo dele, quando, na verdade, ele se refere ao castelo que o Hagar está procurando.
“Ah, agora sim! Mas Diego, por que então o pronome não é dêitico, já que ele se refere ao outro castelo?”
Boa pergunta! Mas agora é a minha vez de perguntar. Ele situa o castelo no tempo / espaço?
Não, tanto que existe um advérbio logo depois com essa função certo?!
O pronome se refere ao “(castelo) número 30” da pergunta.
Duas observações para fecharmos essa questão:
1- Retornemos à pergunta do Hagar:
Hagar: Esse castelo é o número 30?
Qual a função do pronome “esse”?
“Agora ficou fácil Diego! Na pergunta, ele faz referência espacial, já que o castelo está próximo do receptor. Se estivesse mais perto do Hagar seria “este” né?!”
Perfeito! Esse raciocínio confirma a função anafórica do pronome “esse” na resposta, pois caso ele estivesse situando o outro castelo no espaço, não seria “esse”, mas sim “aquele”, já que o castelo está longe do emissor e do receptor.
2- função dêitica = função díctica
b) dêitica e catafórica
c) anafórica e exofórica
d) catafórica e epanafórica
e) anafórica e catafórica
8- Ocorreu erro de concordância na seguinte opção:
Comentário: percebam que 3 opções apresentam o pronome relativo “que”, possibilitando a concordância no singular ou no plural. Já nas letras B e C, onde não há o pronome relativo, a concordância deve ser feita no singular.
Pretendo escrever sobre pronomes relativos em breve, mas, por enquanto, fica a dica: normalmente, em orações adjetivas restritivas, o verbo poderá concordar todos os possíveis referentes do pronome relativo.
a) Um dos alunos que estava em sala durante o intervalo ouviu o boato.
b) Uma das provas de 2008, para fiscal de rendas do RJ, estavam difíceis. V
c) Um dos participantes do Fórum Concurseiros não conseguiu fazer o simulado.
d) Uma das meninas que passaram no primeiro concurso estudava apenas quatro horas diárias.
e) Ele foi um dos que queriam ter mais uma chance.
9- Observe as afirmativas:
I- Fulano gostaria que eu mantivesse o ritmo de estudos para o concurso.
Comentário: o verbo “manter” deve ser conjugado com base no verbo “ter”.
Opção correta!
II- Se beltrano não expuser os motivos da falta, não poderá realizar outra prova.
Comentário: o verbo “expor” deve ser conjugado com base no verbo “pôr”.
Opção correta!
III- Quando cicrano requiser maiores informações sobre o assunto, será tarde demais.
Comentário: ao contrário dos verbos anteriores, temos aqui um falso derivado! O verbo “requerer” não se conjuga com base no verbo “querer”! A forma correta seria “requerer”.
Obs.: esse tipo de questão é praticamente garantido em provas da FCC! Então, quem for prestar a prova para o ICMS-SP, não deixe de gravar os seguintes verbos: requerer e prover. Eles caem em quase todas as provas!
a) I e II estão corretas. V
b) II e III estão corretas.
c) I e III estão corretas.
d) todas estão corretas.
e) todas estão incorretas.
É isso pessoal!
A partir de agora, darei continuidade aos textos teóricos, focando, por enquanto, em temas cobrados pela FGV. O próximo artigo será sobre dêiticos, anáforas etc.
Um abraço!
Diego Garcia (Dimalkav)
dimalkav@yahoo.com.br
Mais uma vez, obrigada.
ResponderExcluir