sábado, 6 de junho de 2009

Resumo sobre pressupostos e subentendidos

Alguns de vocês devem estar se perguntando, neste exato momento, “Mas que diabo de assunto é esse que nunca vi em prova?!”. Pois é, ao mesmo tempo que nós ,concurseiros, buscamos sempre utilizar materiais de alto nível a fim de encararmos as provas de igual para igual, as bancas – ou pelo menos grande parte delas – procuram adequar o conteúdo cobrado ao nível dos candidatos. Este assunto vem sendo cobrado por pelo menos uma banca examinadora, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela elaboração do concurso de fiscal de rendas do RJ, que será realizado nos dias 1 e 2 de agosto. Sem mais delongas, vamos ao assunto!

Ambos os institutos se destinam a tratar de ideias implícitas, seja através de termos expressos na frase, como também não-expressos. A partir daí, é necessário, inicialmente, atentar à diferença entre ideias implícitas e explícitas.

         No caso de ideias explícitas, o leitor não precisa “pensar” sobre o que está lendo. É possível absorver todo o conteúdo passado pelo escritor sem a necessidade de análise de ideias adicionais ou escondidas (famosa leitura das entrelinhas).

         São justamente essas mensagens adicionais e escondidas que vão nos interessar neste momento.

 

Pressupostos

 

Os pressupostos são identificados quando o emissor veicula uma mensagem adicional a partir de alguma palavra ou expressão. Há vários tipos de palavras com esse tipo de "poder". Eis alguns tipos:

- verbos que indiquem: mudança, continuidade, término...

Exemplos:

O concurseiro deixou de sair aos sábados para estudar mais.

(pressuposto: o concurseiro saía todos os sábados.)

O novo fiscal de rendas continua estudando para concursos.

(pressuposto: o fiscal estudava antes de passar.)

A espera dos candidatos pelo gabarito oficial acabou.

(pressuposto: os candidatos estavam esperando o resultado.)

 

- advérbios com sentido próprio

Exemplos:

Felizmente, não preciso mais estudar.

(pressuposto: o emissor considera a informação boa)

Após uma hora de prova, metade das pessoas havia saído.

(pressuposto: algo aconteceu antes do tempo.)

 

- “que” em orações sub. adjetivas

Exemplos:

Pessoas que fazem cursinhos passam mais rápido. (adjetiva restritiva)

(pressuposto: há pessoas que não fazem cursinho)

 

Os nerds, que ficam em casa o tempo todo, conseguem melhores notas. (adjetiva explicativa)

(pressuposto: todos os nerds ficam em casa o tempo todo)

 

Bom, não pretendo esgotar o assunto aqui, até porque acredito que não exista uma lista exaustiva de elementos que funcionem como pressupostos. Procurei mostrar aqueles mais comumente cobrados.

Rodolfo Ilari, no livro Introdução à Semântica: Brincando com a Gramática, apresenta a seguinte dica:

“Sempre que um certo conteúdo está presente tanto na sentença

como em sua negação, dizemos que a sentença pressupõe esse conteúdo.”

Basta utilizarmos a dica do autor nos exemplos acima para percebermos a sua aplicabilidade.

 

Subentendidos

 

         Enquanto os pressupostos seriam as mensagens adicionais, os subentendidos seriam os escondidos. Devem ser deduzidos pelo receptor, e justamente por essa ideia de dedução, podem não ser verdadeiros. Percebe-se aqui outra diferença entre os institutos, já que os pressupostos são sempre verdadeiros, inclusive quando negamos a frase original. Por conta de sua maior abstração, passemos aos exemplos para uma melhor compreensão:

 

situação em que recebemos uma visita:

- Nossa! Está muito calor lá fora!

(possível subentendido: a pessoa está com sede)

Percebam que ao negarmos a frase, a ideia subentendida desaparece. Ao mesmo tempo que é impossível provar que a pessoa esteja realmente com sede. É possível que o emissor negue a dedução do receptor. Vejamos outro exemplo:

 

situação em uma rua qualquer:

- A bolsa da senhora está pesada? (pergunta um jovem rapaz)

(possível subentendido: o rapaz está se oferecendo para carregar a bolsa)

 

         Novamente, esta é apenas uma possibilidade. O rapaz poderia estar interessado na resistência da bolsa ou então preocupado com a coluna da senhora, mas não necessariamente se oferecendo para carregar a bolsa.

 

Cuidado: talvez algum leitor mais atento tenha percebido que a dica do Rodolfo Ilari não se aplica em todos os casos. Neste por exemplo, quando a negação da pergunta não implica em alteração do implícito, o que deveria ocorrer, já que estamos tratando de um caso de subentendido. Isto também ocorre no exemplo de pressuposto com o advérbio “já”, pois é difícil conseguir negar a frase e mantermos o pressuposto sem “forçarmos a barra”.

 

Conclusão: o assunto requer bastante atenção do leitor, até mesmo porque estamos tão acostumados a deduzir implícitos diariamente que encontramos dificuldade em analisar a sensível barreira que separa os institutos. Espero ter contribuído para o aprendizado de vocês! No próximo post analisarei algumas questões de provas da FGV que versaram sobre o assunto. Aguardem!

 

Questões propostas: Considerando os pressupostos e subentendidos, marque a alternativa correta:

 

1) Em “Infelizmente, meu pai ainda não parou de fumar.”:

a) há 2 informações pressupostas e 1 subentendida.

b) há 2 informações subentendidas e 1 pressuposta.

c) há 3 informações pressupostas.

d) há 3 informações subentendidas.

e) não há informação implícita.

2)Ao se preparar para sair de casa, a fim de encontrar sua(seu) namorada(o) na praia, ela(e) liga e o(a) alerta de que o tempo está nublado, não é possível subentender a seguinte informação:

a) é indicado levar um guarda-chuva.

b) ela(e) está preocupada(o) com você.

c) choveu há algumas horas.

d) o passeio devia ser cancelado.

e) ela(e) quer ir a outro lugar.

 

 

Um abraço e bons estudos!

Diego Garcia (Dimalkav)

dimalkav@yahoo.com.br

 

 

 

 

 

26 comentários:

  1. Valeu, Diego, entendi! Mas isso dá umas questõezinhoas bem confusas pra gente, né? =/
    1 - c) ele fuma, continua fumando e é uma notícia ruim?
    2 - c) estar nublado não tem relação com ter chovido anteriormente, certo?

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  2. 1-a) ele fuma, continua fumando e logo vai parar
    2-c)

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  3. 1- A) esta infeliz,vai parar e esta fumando
    2- c)

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  4. Ele fuma, é um fato desagradável mas há possibilidades de parar.

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  5. acho que a 1) - A
    2- C

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  6. Só gostaria que postasse as respostas para que eu as conferisse com as minhas. Preciso saber se acertei. Obrigada.

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  7. JD disse...
    1ª Noticia ruim, fumou, fuma e continua fumando e subentendese que: deixaria de fumar .

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  8. 1-C. Três pressupostos.
    "não parou". O pai continua fumando.
    "Infelizmente". O autor não gosta que o pai fume.
    "ainda". O pai está vivo (ainda).

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  9. ESSE ASSUNTO É UMA MERDAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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  10. Diego acredito que:
    1-c
    2- Não está muito explícito pois o autor ficou preocupado, estaria questionando o que iriam fazer?

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  11. Aff na 1 eu to em dúvida entre a ou b, preciso estudar mais !

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    1. eu tbm :/ Queria que ele postasse a resposta. assunto dificil esse Oo

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  12. 1- pressuposto..
    o pai fumava antes..estava tentando parar..e ainda não havia conseguido

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  13. anonimo disse...
    1)c
    2)e

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  14. aff gostarias das respostass!!!

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  15. aff gosrtaria de ver as respostas...

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  16. 1) C: _ ele nao esta feliz.
    _ Ja era para ele ter parado de fumar.
    _ele ainda pode para de fumar
    2) E: Por o tempo esta nublado, é melhor ir para um outro lugar, pois chuva e praia não combina.

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  17. Implicar é VTD amigão!

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  18. 1- A
    2- C

    Respostas Corretas. Diego Garcia falando.

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  19. Resposta da pergunta 1) letra B; pergunta 2) letra C

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  20. Boa explicação, mas nesse caso "Os nerds, que ficam em casa o tempo todo, conseguem melhores notas. (adjetiva explicativa)
    (pressuposto: todos os nerds ficam em casa o tempo todo)", não concordo com o seu presuposto de que todos os nerds ficam em casa o tempo todo. Esse "que" presupõe que existem os que ficam em casa, mas existem os que não ficam em casa o tempo todo.

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