quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Estrutura das Palavras

Olá pessoal!
O texto de hoje trata do tema Estrutura das Palavras,  que, apesar de ser dificilmente cobrado em provas de concurso, é a base para o assunto Formação de Palavras, este último sim muito importante para algumas bancas, como a FGV. A título de curiosidade, houve uma questão de formação de palavras nas duas últimas provas do ICMS-RJ. Nesta última, foi a questão mais difícil da prova de português.
Tratarei de Formação de Palavras no próximo post!



Estrutura das Palavras

1- Morfemas: unidades mínimas de significado (gramatical ou lexical).
Exemplo: dias (dia = morfema lexical / s = morfema gramatical)
No exemplo, dia é um morfema livre, pois pode figurar como um morfema autônomo, ou seja, forma uma palavra por conta própria. Isto não ocorre com o morfema s, chamado de morfema preso.
Os morfemas livres são representados por palavras de classes gramaticais abertas (substantivos, adjetivos, verbos e advérbios de modo), podendo ser criados novos deles. Por outro lado, os morfemas presos  pertencem a séries fechadas (artigos, pronomes, numerais, preposições, conjunções e demais advérbios), já que existem em número limitado nas diversas línguas. A esta última categoria, deve-se incluir as formas indicadoras de número, gênero, tempo, modo ou aspecto verbal.
Obs.: morfemas lexicais = lexemas / semantemas
         morfemas gramaticais = gramemas / formantes

2- Radical: base lexical (morfema lexical) das palavras de mesma origem, sendo a ele adicionados morfemas gramaticais. Em outras palavras, o radical carrega o significado básico da palavra.
Exemplos: livraria / livreiro (algo referente a livro)

3- Desinências: são responsáveis pelas flexões nominais (gênero e número) e verbais (tempo e modo; número e pessoa).
Exemplos:
candidatas ( a = desinência de gênero / s = desinência de número)
passaremos ( re = desinência modo-temporal / mos = desinência número-pessoal)

4- Afixos: são elementos que agregam significado ao radical, formando uma nova palavra (por isso são também chamados de morfemas derivacionais). Quando inseridos antes do radical são prefixos. São sufixos aqueles localizados depois do radical.
Exemplos:
refazer ( re = prefixo que indica repetição)
cantor ( or = sufixo que indica ação)

Atenção: Apesar de ainda haver divergências, os gramáticos modernos não mais consideram a flexão de grau. O principal argumento contra esta flexão seria sua não obrigatoriedade de concordância, ao contrário do que ocorre com as flexões de número e gênero.
Exemplo: Veja que garotinha linda ( “lindinha” não é necessário)
Dessa forma, devemos considerar que na palavra “garotinha” há derivação sufixal.
Portanto, a velha expressão “concordo em gênero, número e grau” é, no mínimo, um exagero certo?! Basta concordarmos em gênero e número!

5- Infixos: são vogais ou consoantes que ligam radicais, afixos e desinências, facilitando a pronúncia da palavra formada. Não são considerados morfemas.
Exemplo: cafeZinho

6- Vogal Temática e Tema: embora colocados no mesmo tópico, possuem significados diferentes, ou melhor, complementares.
A vogal temática se junta ao radical do nome ou verbo a fim de prepará-lo para receber afixos e/ou desinências.
O tema é a união do radical e da vogal temática.
As vogais temáticas são as seguintes:
- nos nomes: A, E, O.
Obs.: nomes oxítonos ou terminados em consoante não possuem vogal temática, ou seja, são atemáticos.
- nos verbos: A, E, I. (indicam, respectivamente, 1ª, 2ª e 3ª conjugações)

Atenção:  vogal temática x  desinência de gênero
As vogais A e O podem exercer ambas as funções. Por isso, é necessário saber se a palavra em questão sofre flexão de gênero. Exemplos:
- tempo: não sofre flexão ( O = vogal temática)
- calça: no caso do substantivo, não sofre flexão. Já como verbo, a vogal indica a primeira conjugação. ( A = vogal temática)
- candidato: sofre flexão de gênero ( O = desinência)
Obs.: a título de informação, alguns gramáticos classificam a vogal O de nomes masculinos como vogal temática, desconsiderando o gênero masculino, de forma que teríamos apenas a flexão feminina a partir da palavra masculina. Na minha opinião, este é mais um dos diversos equívocos cometidos pelos gramáticos tradicionais. Esta classificação costuma ser estudada em cursos de Letras, sendo bastante improvável a sua cobrança em provas de concurso.


Até a próxima!


Diego Garcia (Dimalkav)
dimalkav@yahoo.com.br





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